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INFORMACIONES DEL DIA

EN SAN PABLO... PRESIDENTE DEL SENADO BOLIVIANO INCENTIVA PARTICIPACION EN EL FORUM MUNDIAL DE MIGRACIONES.

Presidente do senado boliviano, incentiva participação boliviana no Fórum Social Mundial das Migrações 2016

Por: Da Redaçao - La Paz 27/05/2016 12:20:50


José Alberto Gonzales, presidente do senado boliviano, em entrevista exclusiva ao Bolívia Cultural na cidade de La Paz – Bolívia, incentivou a participação dos imigrantes bolivianos no Fórum Social Mundial das Migrações, que será realizada na cidade de São Paulo em 2016.

Também descreveu a nova postura participativa política dos bolivianos que vivem fora da Bolívia, incentivando aos imigrantes bolivianos ter seus representantes no senado boliviano, só desta maneira os imigrantes poderão conquistar maiores vitorias sociais e políticas, em prol das novas gerações de imigrantes e suas famílias, finalizou Gonzáles.





Fonte: 
Bolívia Cultural
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EN SAN PABLO... ENTREVISTA CON GRUPO FOLKLORICO ACUARELA PARAGUAYA.

Nós os Latino-Americanos somos um só! Entrevista com o Grupo Folclórico Acuarela Paraguaya
POR IVES - TERÇA-FEIRA, 29 DE SETEMBRO DE 2015 CULTURA, ENTREVISTAS, NOTÍCIAS

O Grupo Folclórico Acuarela Paraguaya conversou com nosso portal e contou a origem deste grupo paraguaio que vem divulgando a sua cultura em São Paulo.


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EN SAN PABLO...ECUADOR PROMUEVE SU CACAU EN APAS 2016 EN SP.

EQUADOR PROMOVE O SEU CACAU NO BRASIL NO APAS 2016 EM SP
POR IVES - SEXTA-FEIRA, 29 DE ABRIL DE 2016 CULTURA, GASTRONOMIA, NOTÍCIAS

Muito usado na gastronomia equatoriana e mundial, o cacau será um dos produtos em evidência no estande do Pro Ecuador durante a APAS 2016, de 02 a 05 de maio no Expo Center Norte, em São Paulo. A criação da ação ficou por conta da agência WIYM e terá como ponto central a degustação de pães de mel nos sabores prestígio e brigadeiro.

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“Escolhemos o pão de mel por ser um doce muito apreciado no Brasil. Incluimos uma pitada diferente ao utilizar o cacau do Equador na sua cobertura. Isto confere ao doce uma característica diferente e encantadora”, explica Luciana Santos, diretora da WIYM.

Segundo Alexis Villamar, diretor do Pro Ecuador em São Paulo, “o clima e o solo, aliados ao expertise desenvolvido pelo Equador em produzir cacau e sementes oleaginosas desde a época pré-colombiana, se tornaram fatores indiscutíveis da superioridade do produto equatoriano. Quem quer produzir chocolate de qualidade vem atrás do cacau do Equador”.
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EN SAN PABLO...PROYECTO DE BORDADO INCLUYE A FAMILIAS DE IMIGRANTES.

Na Barra Funda, projeto com imigrantes integra escola e família com atividades de bordado

18 Maio, 2016
Por Cidade Escola Aprendiz
Crédito da imagem: Andresa Medeiros/Equipe de Base Warmis

Tecer histórias de vida enquanto imagens são costuradas em tecidos. Este é apenas um dos objetivos da atividade “Memória em cada Ponto”, que acontece nesta quarta-feira (18) na EMEI Antônio Figueiredo Amaral, situada no bairro da Barra Funda, zona oeste de São Paulo.

Na Barra Funda, projeto com imigrantes integra escola e família com atividades de bordado

Além da ação formativa a partir das técnicas de costura, a atividade propõe um momento de encontro e troca de saberes entre educadoras, crianças e familiares. Organizada pela Associação Cidade Escola Aprendiz, a atividade será realizada em parceria com a Equipe da Base Warmis – Convergência de Culturas e com a designer Letícia Matos, idealizadora do projeto 13 Pompons, que ministrarão oficina envolvendo o bordado de tecidos e contação de histórias pessoais, além de confecção de tricô de dedo e pompons junto às crianças.

A Warmis é formada por mulheres imigrantes voluntárias, que têm como intuito promover melhores condições de vida a comunidades imigrantes, por meio de projetos e oficinas que discutem os direitos dessa população no país. Já o projeto 13 Pompons realiza intervenções urbanas que estimulam a ocupação da cidade de forma criativa e colaborativa. Com suas cores e formas, as tramas do tricô atraem a atenção das crianças, transmitindo uma sensação de carinho e aconchego, além de humanizar as relações e o espaço urbano.

Integração de famílias imigrantes

A atividade integra uma das ações do Projeto Integração Família Rede Socioeducativa, promovido pela Associação Cidade Escola Aprendiz, em parceria com a DRE-Ipiranga e apoio do Fundo Municipal da Criança e do Adolescente (FUMCAD).

O objetivo principal do projeto é fomentar a integração de famílias imigrantes latino-americanas aos diversos espaços e equipamentos do centro de São Paulo. Os dois principais pontos de conexão com essas comunidades são duas escolas municipais, cujo público contempla um grande número de estudantes imigrantes e/ou filhos de imigrantes.

Entre as estratégias adotadas, o projeto pretende apresentar dados relativos aos principais desafios na integração das comunidades latino-americanas a partir de um diagnóstico socioterritorial que revela as condições de vida das crianças imigrantes na região central de São Paulo.

Trabalho em rede

No intuito de formar uma rede em torno da questão da imigração, o projeto já realizou uma série de parcerias com os equipamentos socioeducativos e culturais que atuam no território, como o Fórum da Criança e do Adolescente Sé, Fórum Social Mundial das Migrações (FSMM), Rede Social do Senac Tiradentes, Conselho Participativo da Subprefeitura Sé, entre outros.

Sobre o Programa Cidades Educadoras

O Projeto Integração Família Rede-Socioeducativa integra o Programa Cidades Educadoras desenvolvido pela Associação Cidade Escola Aprendiz. Criado em 2015, o programa visa fortalecer a demanda social por Cidades Educadoras no Brasil por meio de projetos e experiências voltados à integração entre comunidades, escolas e territórios. Trazendo o acúmulo e as metodologias de 18 anos de atuação da proposta Bairro-escola, o programa também é responsável por produzir e disseminar conteúdos relacionados à temática, além de identificar e apoiar políticas públicas que possam contribuir com a formação de Cidades Educadoras no país. Conheça o Programa Cidades Educadoras

Serviço
Memória em Cada Ponto
Quando: 18/5
Horário: das 15h30 às 16h30
Onde: EMEI Antônio Figueiredo Amaral
Local: R. Leonardo Jones Júnior, 34 – Barra Funda – São Paulo (SP)
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EN SAN PABLO...IMIGRANTES RESPONDEN EL SIGNIFICADO DEL TRABAJO.

No 1º de maio, imigrantes respondem: para cada um deles, o que significa o trabalho?

1 Maio, 2016
Por Rodrigo Borges Delfim

Ele é integração, mas também pode ser transformado em uma forma de exploração. Pode reforçar estereótipos, mas também pode gerar consciência social e política que ajuda justamente a derrubar conceitos que na verdade são falsas verdades.

No 1º de maio, imigrantes respondem: para cada um deles, o que significa o trabalho?

Sim, o trabalho vai além da geração de renda e do sustento. E para os imigrantes e refugiados, em especial, é um meio fundamental para a inserção na sociedade – tanto na brasileira como em qualquer outra. Por outro lado, esse instrumento também pode ser distorcido quando as condições de trabalho não são dignas, como nas situações análogas à escravidão – especialmente quando a pessoa não tem conhecimento dos próprios direitos.

Mas para os imigrantes, o que significa ter um trabalho e como ele tem ajudado na trajetória de cada um que tem construído uma nova vida no Brasil? Alguns deles toparam responder a essa pergunta para o MigraMundo, e o resultado pode ser visto nos depoimentos abaixo:

Trabalho é tudo. Se você não trabalha, não tem nada. Trabalhei como professor de design gráfico e administrador no Paquistão. Mas aqui é diferente, trabalho como professor de inglês porque gosto de falar inglês e aprender com os outros. Também trabalho como artesão, que é uma coisa que gosto de fazer. Conheci muita coisa no Brasil através deste trabalho.

Raheel Shahbaz, Paquistão
No Brasil, é um dos professores do projeto Abraço Cultural e também atua como artesão, hobby que tem ajudado a gerar renda. Mas se tiver oportunidade, quer voltar a trabalhar nas áreas em que atuava na terra natal

“Para mim, trabalho é uma forma de integração do imigrante. Mas trabalho não significa garantia de vida. Os imigrantes deveriam fazer tudo para saber dos direitos trabalhistas deles, porque imigrante não significa trabalho escravo”

Omana Ngandu, Congo
No Brasil, professor de francês e de cultura africana

Foi à procura de trabalho que cruzei a Ponte da Amizade, e foi dentro das oficinas de costura que comecei a questionar a história dos nossos países, a estudá-lo e criar laços de amizade, seja através do futebol, na fila da Policia federal, na universidade, no ônibus, com pessoas que lutam diariamente pela dignidade como ser humano, por trabalho (digno), por justiça (RNE), por liberdade (ir e vir sem medo) que ajudaria a cumprir muitos sonhos. Aprendi a sonhar mesmo sabendo das dificuldades com as diversas nacionalidades que conheci, e a enterrar qualquer preconceito que tinha anteriormente. Estas pessoas me ajudaram a enxergar que outro mundo e uma outra globalização é possível.

Leo Ramirez, Paraguai
Chegou ao Brasil para trabalhar com oficinas de costura e atualmente é funcionário do Consulado da Venezuela em São Paulo

“Quando você não possui RNE [o Registro Nacional de Estrangeiro, o principal documento para imigrantes no Brasil], algumas companhias aqui te colocam em toda e qualquer função, e no final pagam um valor muito baixo, enquanto para viver no Brasil é preciso dinheiro, porque o custo é alto. Então, como posso receber cerca de R$ 600 aqui e ainda por cima cuidar dos familiares que estão na nossa terra natal? Este tem sido um grande desafio para nós. Queremos que o governo brasileiro venha e ajude a combater essa situação de problemas de discriminação no trabalho”

Edwin Eason, Gana
Trabalha no Brasil como operador de máquinas e é engajado na luta por melhorias para outros ganeses no Brasil. Sua reflexão vem do acompanhamento das lutas e dramas que conhece dentro da comunidade

Trabalho significa reintegração, praticar e conhecer a língua. No meu caso, que trabalho com gastronomia, aprendi muito com os nomes dos ingredientes das receitas. Também me ajuda a conhecer mais o Brasil, porque trabalho com os brasileiros.

Bouteina Sakhi, Marrocos
Trabalha com gastronomia e traz para o Brasil um pouco dos sabores da terra natal. Trabalhava em um restaurante de culinária libanesa e recentemente começou a empreender e buscar o próprio negócio de culinária marroquina.
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EN SAN PABLO...PERÚ PROMUEVE RUTA DE TURISMO DE LA QUINUA.

Rota da Quinoa, primeiro roteiro de Turismo Gastronômico do Peru, é lançada pelo Ministério do Turismo e OMT
POR IVES - QUARTA-FEIRA, 11 DE MAIO DE 2016 GASTRONOMIA, NOTÍCIAS

Anúncio foi feito durante o 2° Fórum Mundial de Turismo Gastronômico, recentemente realizado no Centro de Convenções de Lima. Assinatura do acordo foi feita entre a vice-ministra de Turismo do Peru, María del Carmen de Reparaz, e o Secretário Executivo da Oorganização Mundial do Turismo, Carlos Vogeler.

Cultivo de quinoa_Foto Flor Ruiz-PROMPERÚ

Várias visitas técnicas têm sido realizadas na região de Puno, no Sul do Peru, para avaliar o potencial e as estratégias para o desenvolvimento do protótipo no país. Além de técnicos e representantes da OMT, restaurantes, hotéis e operadoras de turismo também estão envolvidos nos trabalhos.

São Paulo, 11 de Maio de 2016 – Foi lançada, durante o 2º Fórum Mundial de Turismo Gastronômico, recentemente realizado em Lima, no Peru, a Rota da Quinoa. A novidade foi anunciada com orgulho pela ministra de Comércio Exterior e Turismo do Peru (MINCETUR), Magali Silva Velarde-Álvarez, que destacou que este é o primeiro roteiro de turismo gastronômico do país, lançado pelo Governo do Peru e pela Organização Mundial do Turismo (OMT).

Magali Silva destacou que o projeto é um “estudo de valor”, uma metodologia de trabalho que se desenvolverá em torno de um produto específico. Em função disso, será possível a troca de conhecimentos e a criação de projetos turísticos que se comprometam a incentivar a competitividade a partir da ética e da sustentabilidade. Além disso, oferece um ponto de partida para os setores público e privado. “Em síntese, esse protótipo da OMT é um projeto vivo de pesquisa e análise em um destino turístico. O que buscamos com isso é realizar um exercício prático de inovação e aprendizagem para estabelecer modelos que possam ser replicados em diversos destinos em nosso país e no mundo”, manifestou a ministra.

A proposta, segundo a ministra Magali Silva, é baseada no modelo de protótipos da OMTC e apresenta uma metodologia inovadora na abordagem do turismo. A ideia é oferecer aos viajantes uma nova maneira de explorar um destino, conhecer o estilo de vida dos produtores através dos centros de produção, que atuam como centro de referência na área ou região onde estão localizados.

Salada de quinoa_Foto Erick Andía-PROMPERÚ
Salada de quinoa_Foto Erick Andía-PROMPERÚ
A metodologia aplicada na chamada Rota da Quinoa terá cinco fases: descoberta; desenho técnico; desenvolvimento de plano de negócios; realização; processos de supervisão e melhoria. Essas lições se relacionam com os elementos-chave que estabelecem o protótipo: analítica, tecnologia, proposta turística, a criação da narrativa, o modelo de governança, o processo de certificação, entre outros.

Proposta foca a região de Puno

O acordo foi assinado pela vice-ministra do Turismo do Peru, María del Carmen de Reparaz, representando o MINCETUR, e o Secretário Executivo de Relações com os Membros da OMT, Carlos Vogeler. No documento oficial dirigido ao Secretário-Geral da OMT, Taleb Rifai, em agradecimento ao trabalho conjunto na organização do 2º Fórum Mundial de Turismo Gastronômico, foi incluído um pedido formal para o desenvolvimento do primeiro protótipo de Turismo Gastronômico da OMT no Peru.

Em 21 de janeiro de 2016, durante a Feira Internacional de Turismo (FITUR), foi realizada uma reunião de trabalho entre representantes do MINCETUR e da OMT para apresentar a proposta peruana para levar a cabo a iniciativa. De 13 a 18 de março deste ano, foi realizada uma visita técnica na região de Puno para avaliar o potencial e as estratégias para o desenvolvimento do protótipo no Peru, através da articulação da cadeia de valor da quinoa no turismo. Foram realizadas 25 reuniões com as partes interessadas dos setores público e privado, no qual foram incluídos representantes de restaurantes, hotéis e operadoras de turismo. Está planejada outra viagem até a região de Puno, por técnicos e representantes da OMT, para dar continuidade ao desenvolvimento da proposta.

A quinoa

A quinoa é o grão andino mais celebrado da rica dispensa peruana. Existem, no território peruano, mais de três mil ecotipos de quinoa e, até o momento, foram disseminadas cinco variedades de cor, além da branca. Produto emblemático do Peru, a quinoa oferece uma alternativa saudável no desafio de produzir alimentos de qualidade. Todo o seu processo de cultivo é totalmente orgânico.

Variedades de quinoa
Variedades de quinoa

Em 2013, a ONU designou, em Nova York, que aquele seria o ano para homenagear as qualidades da quinoa e o seu potencial para a erradicação da fome, desnutrição e pobreza, batizando como o Ano Internacional da Quinoa. Entretanto, a homenagem não contempla só o aspecto nutricional. O Ano Internacional da Quinoa também agrega valor aos esforços de milhares de trabalhadores. Quase toda a produção de quinoa atualmente é feita por pequenos agricultores e associações, e o cultivo é feito de acordo com normas técnicas peruanas para o produto.

Informações sobre destinos turísticos do Peru: http://www.peru.travel/pt-br/

Facebook: https://www.facebook.com/visitperu

Twitter: https://twitter.com/peru

Youtube: https://www.youtube.com/user/VisitPeru
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EN SAN PABLO... ACTO ANTICIPA EL CLIMA DE DEBATES PARA EL FORUM MUNDIAL DE MIGRACIONES.

Ato antecipa clima que deve marcar o Fórum Social Mundial de Migrações

9 Maio, 2016
Por Rodrigo Borges Delfim

Quer saber o que esperar do Fórum de migrações? Um ato político organizado na última sexta (06) dá uma ideia dos debates e tendências que estarão presentes no evento, que será de 7 a 10 de julho em São Paulo.

Ato antecipa clima que deve marcar o Fórum Social Mundial de Migrações

Realizado no Sindicato dos Bancários, no centro da capital paulista, o Ato Político em Defesa do Direito à Participação Cidadã dos Imigrantes foi organizado pela Secretaria Técnica do FSMM e reuniu lideranças sociais, autoridades, estudiosos e demais envolvidos na temática migratória.

O evento foi uma reação a dois episódios recentes envolvendo a temática dos migrantes: o boato de que imigrantes de Bolívia, Paraguai e Venezuela estariam “invadindo” o Brasil em apoio ao governo Dilma; e a nota da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) que, a partir desse boato (desmentido, mas que foi reproduzido por grandes meios de comunicação), invocou o Estatuto do Estrangeiro (que proíbe manifestação política de Imigrante, mas acaba invalidado porque contraria a própria constituição) para ameaçar de expulsão do Brasil qualquer imigrante que tomasse parte em manifestações políticas.

Além de se posicionar em relação a esses dois fatos, o evento também tinha como objetivo debater estratégias para buscar avanços nas políticas de participação social e na superação do Estatuto do Estrangeiro.  Também aconteceram manifestações de apoio a Paulo Illes, do Comitê Organizador do Fórum, que denunciou ter tido os dados pessoais violados e vazados na internet.

Mesa do evento teve lideranças da sociedade civil, imigrantes e autoridades. Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo
Mesa do evento teve lideranças da sociedade civil, imigrantes e autoridades.
Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo
Ambiente político nacional e global
Mesa do evento teve lideranças da sociedade civil, imigrantes e autoridades. Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo
O ato foi marcado fortemente pelo contexto político atual do país, com o iminente afastamento da presidente Dilma Rousseff e os retrocessos que esse fato pode ter sobre políticas públicas e iniciativas adotadas sobre direitos humanos nos últimos anos – incluindo àquelas voltadas a imigrantes e refugiados.

A partir da carta do sindicato dos policiais e desse cenário político conturbado, a professora Deisy Ventura, do Instituto de Relações Internacionais da USP, lembra que os imigrantes estão no lado mais fraco da corda e que a não revogação do Estatuto do Estrangeiro é um dos responsáveis pela manutenção dessa fragilidade.

“Infelizmente nós não conseguimos revogar o Estatuto nos últimos anos. Na hora que estávamos fortes e tínhamos condições de fazer, as forças se dividiram por conta de interesses próprios. Não adianta contemplar interesses pontuais e deixar uma estrutura que, no todo, depõe contra nós. Não fizemos o avanço no momento que deveria ter sido feito e a situação atual não nos ajuda. Vamos acompanhar o que vai acontecer com atenção para sabermos como agir”.

O congolês Pitchou Luambo foi um dos imigrantes que tomaram a palavra no ato. Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo
O congolês Pitchou Luambo foi um dos imigrantes que tomaram a palavra no ato.
Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo
“A nota e a lei  dizem que não podemos nos manifestar. E por que não podemos?  Isso já provoca no imigrante uma sensação de vulnerabilidade”, exemplifica o congolês Pitchou Luambo, líder do GRIST, o Grupo de Refugiados e Imigrantes Sem Teto de São Paulo.
O congolês Pitchou Luambo foi um dos imigrantes que tomaram a palavra no ato. Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo
Deisy ainda lembrou o contexto internacional e a apropriação da pauta migratória por grupos conservadores e de extrema-direita, citando especialmente países europeus – e a necessidade de combater essa visão aqui no Brasil. “Hoje a Europa é violadora de direitos, lidera uma percepção das migrações como uma ameaça à segurança, ao emprego. Esse olhar para a Europa, que no passado era de copiar a visão, hoje precisa ser de forma dura. A Europa não é mais referência para nós em matéria de direitos humanos dos imigrantes e refugiados”.

O militante e jornalista chileno Miguel Ahumada chamou a atenção para a necessidade de os imigrantes se organizarem, independente dos interlocutores já existentes nos governos e na sociedade civil. “Os imigrantes precisam se organizar e começar a criar um fato político, de forma consciente e organizada. Se não nos organizarmos não vamos conseguir nada”.

A necessidade de união foi citada por Luiz Baseggio, integrante do comitê internacional do Fórum.  “É hora de defesa da democracia, de união de forças e da defesa intransigente da defesa da dignidade da pessoa humana”, reforçou.

Citando o avanço de pautas conservadoras no país, a diretora da Fundação Perseu Abramo, Iole Ilíada, também citou a necessidade de união e de resistência no atual momento. “Só há uma maneira de enfrentar isso. É resistir. A luta, o direito de participação é de todos”.


Reconhecimentos e críticas

A sensação de que o evento estaria sendo direcionado para uma defesa do governo federal, atualmente com o PT, e o vínculo direto ou indireto de parte da mesa do evento com o partido, gerou críticas de imigrantes que tomaram a palavra.

“Por que podem tomar uma liberdade dessas e o Ministério da Justiça não se posicionar? Ou o partido que está no governo não é capaz de governar, ou não quer proteger os imigrantes”, criticou o camaronês Mahob Matip Dieudonne, citando a carta do sindicato dos policiais federais e lembrando que a Polícia Federal está subordinada à pasta.

Ato aconteceu no Sindicato dos Bancários, em São Paulo. Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo
Material de apoio ao ato, que aconteceu no Sindicato dos Bancários, em São Paulo.
Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo
Ato aconteceu no Sindicato dos Bancários, em São Paulo. Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo
Outra crítica veio do congolês Christ Kamanda, que lembrou manifestações xenófobas feitas há poucos meses pelo deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ). “Onde estavam vocês quando ele falou isso? É tudo hipocrisia aqui. Vocês não falaram nada. E temos outras prioridades maiores que esta conversa aqui”.

Tais críticas foram consideradas excessivas por Rogério Sottili, ex-secretário de Direitos Humanos da Prefeitura de São Paulo e atual Secretário Especial de Direitos Humanos do governo federal. Ele admitiu que “ainda há muito a ser feito”, mas pediu o reconhecimento dos avanços já obtidos. “É importante fazer críticas, mas também é importante reconhecer o que já está sendo feito e que muda a realidade dos imigrantes. Estamos na mesma luta, na mesma trincheira”, disse.

“A César o que é de César. As críticas precisam ser feitas, mas com responsabilidade. Se não, ela não só não tem credibilidade como cria desgastes, injustiças e nos divide. O futuro das lutas dos imigrantes depende da nossa inteligência. E não é inteligente atacar aqueles que estão conosco desde o começo, por mais defeitos que tenham”, reforçou Deisy, que tratou de enfatizar que não possui vínculos com o PT.

“Mesmo tardiamente, é importante ter um posicionamento em relação aos imigrantes”, ponderou o peruano Luis Benavides quanto à realização do ato.

Ato deu uma prévia das convergências e divergências que devem marcar o FSMM. Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo
Ato deu uma prévia das convergências e divergências que devem marcar o FSMM.
Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo

Ato deu uma prévia das convergências e divergências que devem marcar o FSMM. Crédito: Rodrigo Borges Delfim/MigraMundo
Ao final do evento, tanto entre organizadores como entre os participantes, ficou a impressão de que as opiniões e divergências presentes no ato são um aperitivo do que está por vir no Fórum, em julho.

“Foi impressionante o debate que tivemos aqui e a maturidade política apresentada pelos imigrantes. Com certeza é uma prévia do Fórum”, apontou a produtora cultural luso-brasileira Cristina de Branco. “Os imigrantes e refugiados estão colocando as demandas deles, e não necessariamente são as mesmas apresentadas pelas lideranças”, analisou o sociólogo Willians Santos.

Para Illes, que integra a organização do Fórum e também mediou o ato, ele de fato é um “esquenta” do FSMM e aponta como normais a existência de divergências. ”Entendemos que o Fórum é um espaço de convergência, de debate, de disputa, de troca de opiniões. O Fórum não é deliberativo, mas vamos buscar propostas e consensos. Todo o Fórum envolve tensões, mas estamos preparados para isso”.
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